Chaveira Chaveiro
é apelido medieval. Também se chamam chavaleiros os mancebos ou criados que viviam na casa do seu senhorou debaixo
da chave do seu amo.
Famílias aqui existentes: No
século XVII habitada pelas famílias: Calvo, Dias, Esteves, Homem, Jorge, Lopes, Simão, Pires, Roque.
No século XVIII: Costa, Delgado, Carvalho, Dias, Do-mingues, Filipe, Fernandes, Ferreira, Fouto, Gonçalves,
Martins,Mata, Rodrigues, Silva, Tavares. No século XIX: Alves Delgado, Dias, Costa, Domingues, Domingos,
(um senhor com este aplido veio para ali, de Ferreira (Coimbra), Fernandes, Fouto, Gonçalves, Mariano,Martins, Pires,
Rodrigues, Silva, Tavares. Abundam aqui os vestígios da época romana.No fim do século XVIII e ainda no
século XIX se encontra referenciado como lugar o Outeiro da Chaveira,habitado pela família Dias. Chaveirinha Famílias aqui existentes: No século XVIII habitada pelas famílias: Mata, Martins Matias, Mateus, Pires, Silva. No
século XIX: Dias, Fouto, Gonçalves, Mata, Matias, Martins, Silva, Tavares. 1621 ESTATUTOS
DA MISERICÓRDIA DE CARDIGOS CAPÍTULO VI «Hua das obras de misericórdia he enterrar os mortos e
porque muitas vezes sucede faltarem homens que os tragão à sepultura, em especial nos montes aonde ha poucos
he necessário para menos opressão e mais serviço de Nosso S.or fazerem-se vintanas por esta terra, as
quais se repartirão pela maneira seguinte: Hua desde o Monte dos Vales, Carrascal, athetodas as
Chaveiras; outra os Montes das Porcas, Casalbom, Collos, Algar e Casas da Ribeira; a terceira os Assinhais,
Tinfan.ros e Peracanas; a quarta Lameira ancha, Roda, Casalinho e Carvalhal; a última Sernadas, freixoeiros, ARGANIL,
Montarricome, Meuianfrio e Val dos Infantes.» 1689 PRONTUÁRIO DAS TERRAS DE PORTUGAL «Vila
Nova de Cardigos. É esta vila do Priorado do Crato. Entra nela o Ouvidor do Crato, e tem no termo os lugares seguintes:
Casais: Simadas, Vales, Carrascal, Chaveiras, Porcas, Collos, Casas da Ribeira,
Algar, Pé do Azinhal, Casal de Neto, Azinhalete, e os lugares do Cavaleiro, Tinfaneiros, Peracanas, Lamirancha, Sarnadas,
Freixoeiro, Freixoeirinho, ARGANIL, Mouta rico homem, Mijão frio, Val d'Infante, Roda , Casalinho e Carvalhal.»
1753 CÂMARA ECLESIÁSTICA DE CASTELO BRANCO Existe na Biblioteca Nacional (Lisboa), nos documentos
pertencentes à Câmara Eclesiástica de Castelo Branco, um processo cujo autor é o pároco
Manuel da Mata, Juiz, povo e Câmara de Cardigos, esta representada por João Delgado das Sarnadas, José
Fernandes de ARGANIL, Manuel Alves do Carrascal, Manuel Alves Eiras das Cimadas e Domingos Carvalho do Freixoeiro e réu
o vigário de Amêndoa, padre Leitão de Figueiredo. 1755 EMPRAZAMENTO FEITO A MARIA CARVALHA
Na Torre do Tombo, no livro da Ordem de Malta, (B 51-30, fls. 87) está um emprazamento feito a Maria Carvalha, casada
com João Carvalho, realizado em Lisboa a 19-8-1755, por falecimento de seu pai Luís da Gama, da terça
parte da metade do Casal de ARGANIL com pensão anual de 10 alqueires de pão (trigo e centeio) e um terço
de uma galinha e 4 ovos, pagos no almoxarifado de Proênça-a-Nova, por Santa Maria de Agosto. 1757 PORTUGAL
ANTIGO E MODERNO (Pinho Leal) «Cardigos:-Antigamente Vila Nova de Cardigos, vila, Extremadura, Comarca de Tomar, concelho
de Vila de Rei, 168 quilómetros ao N.E. de Lisboa. Orago: Nossa Senhora da Assunção, Bispado e Distrito
Administrativo de Castelo Branco. É do Grão-Priorado do Crato, donde dista 50 quilómetros para o N.,
provedoria de Tomar donde dista 35 quilómetros a E. Situada em um alto donde se veem as vilas de Figueiró dos
Vinhos, Vila de Rei, Amêndoa, Niza, Castelo de Vide e Marvão. Tinha termo seu que antigamente foi julgado, chamado
da Bichieira, como consta de muitos papéis antigos. Já era vila em 1521. O seu termo compunha-se dos lugares
do Carrascal, Chaveira, Chaveirinha, Casais de S. Bento, Colos, Casas da Ribeira,
Cavaleiro, Pé do Azinhal, Azinhal, Azinhalete, Vales, Tinfaneiros, Para Canas, Lameirancha, Sarnadas, Freixoeiro, ARGANIL,
Moutaricome, Meijão-Frio, Vale de Infante, Roda, Casalinho e Carvalhal, que por todos, incluindo a vila, faziam 221
fogos.» 1758 PADRE MANUEL RIBEIRO DE S. JOAQUIM Na Torre do Tombo existe uma informação paroquial
de 1758, onde, entre outras coisas, se pode ler o seguinte: «Resposta que se dá aos interrogatórios remetidos
por ordem de Sua Excelência Reverendíssima pelo que respeita a esta vila de Cardigos ...Nunca foi termo de outra
terra pois o tem seu e no tempo antigo foi julgado a que chamaram de Bruchueira como consta de papéis antigos porém
já no ano de 1521 era vila que tem no termo os lugares seguintes: Vales que tem dezaceis visinhos - Carrascal que tem
quinze visinhos - Casais de São Bento que tem dezacete visinhos - Casas da Ribeira que tem oito visinhos - Cavaleiro
que tem cinco visinhos - Pé do Azinhal que tem tres visinhos - Azinhalete que tem oito visinhos - Tinfaneiros que tem
um visinho - Peracanas que tem oito - Possirigal que tem um visinho - Lameirancha que tem cinco - Sarnadas que tem dois visinhos
- Freixoeiro que tem dez visinhos - Freixoeirinho que tem quatro - ARGANIL que tem seis - Montarricome que tem seis visinhos
- Meijanfrio que tem dez visinhos - Vale do Infante que tem um visinho - Roda que tem dez vizinhos - Cazalinho que tem quatro
visinhos - Carvalhal que tem oito visinhos - e as pessoas por todas são seis centas e sessenta. ...Não tem feira.
Não tem correio. Sòmente se serve do estafeta de Castelo Branco que vai para Tomar. Chega na terça feira
para baixo e na quinta para cima. ...Não tem fonte ou lagoa célebre nem agoas algumas com qualidade especial.
...Não padeceu ruina grave no terramoto de 1755 - tão sòmente o arco principal teve uma pequena abertura
que hoje se acha unida... Não há coisa mais notável ou digna de memória. Cardigos de Abril 16
de 1758. O cura Manuel Ribeiro de Sam Joaquim.» O Roman Portugal apresenta
já algumas características de várias estações arqueológicas da zona: forno
(Pedrógão Grande), Roqueiro, Sertã e Ponte da Isna (Sertã), Sendinho da Senhora (Oleiros),
Sobreira Formosa, Labrunhal Fundeiro e Castelo do Chão do Trigo (Proença-a-Nova), Dornes e São Pedro
do Castro (Ferreira do Zêzere), Chaveira, Cabeço da Porca, Chão do Pião, Coutada, A Moradeira, Freixoeiro, Alicerces, Senhora da Moita, Monte Calvo, Ponte da Ladeira de Envendos, Vale da Mua,
Casal, Tapada, Vilar da Lapa, Vale do Grou, Mação, Ponte da Ribeira das Eiras ou de Palhafome, São
Bartolomeu, Ponte do Coadouro, São Marcos do Rosmaninhal e Vale do Junco (Mação), São Tiago,
Valhascos e São Simão (Sardoal), Casal de Pedro Ferreiro (Constância), Quinta da Pedreira, Abrantes,
Pego, Mouriscas, Aldeias, Surdo e Casal de Vale Covo (Abrantes), Quinta do Ribeiro da Nata e Outeiro Cimeiro (Gavião)
(Alarcão,
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As Invasões Francesas de 1800's Charles Mathieu Gardanne “A efémera conquista de Portugal foi a causa
de todos os desastres que para a França depois seguiram.(…) A nossa passagem através da Beira Baixa foi terrível e ao mesmo
tempo milagrosa. Melhor seria se fosse um insucesso (…) evitaria futuras humilhações, que depois tivemos que sofrer quando
os nossos generais mais celebres baquearam contra simples gente do campo e contra um Wellington (…) e mais tarde ver a França
retalhada e submetida”. General Thiebault, Chefe do estado-maior de Junot, Memórias Não sendo
a Beira Baixa campo de grandes batalhas, foi sim o eixo onde se jogou parte das manobras que viriam a determinar a retirada
das tropas francesas do território sempre com grandes custos para o povo anónimo, sempre fora dos grandes estudos militares.
O Marquês de Alorna em 1801 foi enviado para a Beira, comandando o sector da Beira Baixa. Em 1807 de acordo com as suas posições,
apoiou a aliança francesa e o corte com a Grã-Bretanha. Aceita comandar as forças portuguesas dominadas pelo exército francês.
Sai de Portugal com Massena, sendo mandado inspeccionar já como general de divisão, a Legião Portuguesa que integra o exército
francês que invadiu a Rússia em 1812. Alorna em 1801 como comandante do sector da Beira Baixa toma algumas medidas: reconstrução
das muralhas e fortificações existentes na Beira, construção da estrada nova de Tomar ao Fundão. Um centro de víveres em Cardigos e outro no Fundão com hospital. A estrada nova
foi uma das vias de comunicação mais determinante na guerra para os dois lados em conflito. August du Fay, um dos engenheiros
que Napoleão manda a Portugal, faz um levantamento notável sobre os caminhos e outros dados económicos e topográficos da Beira
onde o Fundão è parte central. Fala da qualidade do seu vinho. As entidades turísticas ainda não descobriram a importância
deste estudo, admira ávidas como são. Curiosamente assinalava nos estudos, chamava a atenção para alguns pontos na estrada
nova, para se travar uma batalha onde acabou mesmo por acontecer, no cabeço Zibreiro e Moradal, aquando da guerra da sucessão
espanhola, ali se travaram confrontos, diz. Até então um pouco poupada ao saque das tropas francesas, mesmo na terrível passagem
de Loison, (o Maneta) fez por Almeida a caminho do Alentejo, sobre isso escreveu o general Foy, “A Covilhã cidade de manufactura
fica fora da estrada real, mas vêm à estrada assassinar os nossos pobres soldados. O mesmo se passou com o Fundão, em Alpedrinha
tentaram barrar-nos o caminho comandadados pelo juiz de fora João Pedro Ribeiro de Carvalho, e pelo padre-cura. Uma coluna
de mil soldados comandados por Charlot vai de Atalaia a Alpedrinha massacrou e preseguios até Alcongosta”. Loison não se afastou
da estrada real Alpedrinha foi a excepção, Castelo Branco terra saqueada logo com a primeira entrada de Junot por Segura em
Outubro 1807, com aproximação de Loison temeu-se o pior mas o seu objectivo era esmagar os levantamentos que ocorriam por
todo o Alentejo, ruma a Sarzedas e acampa no Chão da Vã. O bispo junta com os víveres que tinham sido exigidos para as tropas,
um banquete para Loison, que lhe manda pelo seu criado. Frederico Lecor foi ajudante de campo do Marquês de Alorna. Lecor
assim como as forças inglesas peregrinaram pela Beira Baixa, principalmente durante os anos 1809 e 1810 sacam tudo o que havia
para comer. História de fome e dor, um esforço de guerra ainda por fazer. Poderemos avaliar os custos? Desses milhares de
militares pouco ou nada disciplinados. Com a política de terra queimada imposta ao pais, nunca se saberá o quanto. As ordens
de serviço mostram o frenesim constante da movimentação das tropas e milícias por toda a Beira Baixa. Lecor num golpe de antecipação
parte do Fundão com as suas forças para o Espinhal fazendo caminho pela Pampilhosa, Pedrógão Grande, leva consigo a sua tropa
e milícias, todos os meios de transporte que há. Muitos desses pobres ganhões não voltariam vivos, como se vê um pouco por
estas aldeias nos acentos de óbito. Quando Lecor chega ao Espinhal, a 20 de Setembro, toma conhecimento da ordem de Wellington
exactamente nesse sentido. Convento de Lorvão, 20 de Setembro, 1810. 10 Horas da noite. Sr. acabo
de receber uma carta do General Hill datada de ontem, pela qual saber ter chegado ontem à noite a Pedrógão Grande. Imediatamente
ao receber esta carta solícito andar sobre a ponte da Mucela, fazendo o caminho que a vocês convirão melhor. Conto que fará
o caminho amanhã 21 e que estará em S. André de Poiares dia 22. Tenho a honra de ser, WELLINGTON Depois da desastrosa
entrada em Portugal Massena, muita vez confrontado pelos seus generais da má escolha táctica e condução das tropas. Perdidos
em combates menores impostos por Wellington. Quando chegou às linhas de Torres Vedras, em Outubro o renhido combate do Sobral
de Monte Agraço, 8º corpo francês comandado pelo general Junot é rechaçado. Fica claro a impossibilidade de ultrapassar as
linhas. O tempo passa começa a faltar: comida para os militares e forragens aos animais nos campos de Santarém. Por ironia
os oficias, sentiam mais dificuldades acantonados não praticavam eles as pilhagens como era prática dos soldados, meses duros
estes passados nos campos do Ribatejo. Escreveu o capitão Marcel referindo-se também aos soldados feridos na batalha do Buçaco
que ficaram em Coimbra por ordem de Massena: “Mas que pensar da condução de um general chefe que abandona assim milhares de
corajosos, entre os quais 3000 podiam pelo menos ser-nos devolvidos se forem guardados ou se seguirem, porque tinham apenas
feridas pouco graves. E não impediu os Ingleses de chegar antes de nós perto de Lisboa. Na planície de Vila Franca. Massena
queria juntar-se a Wellington mas ele ocupou posições tão cortadas e tão fortes, que não era possível mais atacá-lo” Noutro
momento da guerra escreve ainda Marcel: “Todas as aldeias circundantes eram desertas mas abundavam de grãos; foram repartidos
entre as divisões de modo que cada regimento pudesse fazer o seu pão. Se um regimento contasse 1500 homens, 400 iam colher,
200 batiam o grão, moíam-no, faziam o pão, 400 trabalhavam nas trincheiras. Pode julgar do descanso que tinham os nossos soldados,
incessantemente ao trabalho sob um sol escaldante, frequentemente afastados de uma milha da água que era necessário ir extrair,
dormindo mal, e comendo um único pão grosseiro fabricado por eles mesmos. Ah! Pobre soldado, sempre sacrificado, sempre contento
aqueles que repreendem teus pecadilhos: nunca, não viu o que suportavas!” Massena envia o general Foy para dar a conhecer
a situação ao imperador. “ Depois da queda do império Foy torna-se num parlamentar notável os seus discursos estão publicados”.
“ Era membro da maçonaria”. As únicas notícias do exército de Massena eram obtidas dos jornais de Londres. Três batalhões
para a sua escolta até à fronteira espanhola. Sai do Carregado perto de Santarém a 29 de Outubro, a 23 de Novembro é recebido
por Napoleão. Segue a caminho da Beira Baixa.Foy recomenda ao general D’Erlon, comandante do 9º corpo do exército acantonado
perto de Salamanca, para seguir para Portugal, e dá instruções ao general Gardanne como encontrar o exército francês. Começa
o drama de Gardanne por terras da Beira. Dia 13 o general Silveira levanta o cerco que faz a Almeida em poder dos franceses
devido à aproximação das tropas de Gardanne, e logo no dia seguinte enfrenta-o num combate sangrento em Valverde, Pinhel.
Gardanne passa no Sabugal chega ao Fundão. Daquilo que se sabe da passagem dos franceses pelo Fundão, Gardanne parece-nos
ser o principal, protagonista das histórias e relatos que se conhecem sobre franceses na vila do Fundão. Já que as passagens
do general Foy são apressadas, quando passa a caminho de França faz o caminho até Sarzedas e depois continua a estrada real,
Atalaia, Penamacor e Sabugal, era normal a coluna seguir um percurso, ao mesmo tempo a cavalaria invadia as aldeias próximas
na busca desesperada de alimentos. Apanhavam de surpresa as pessoas e dai um número elevado de mortos onde menos se esperava.
Quando volta de França faz caminho Cidade Rodrigo, Sabugal, Belmonte, Pêraboa, Ferro. Dorme em Alcaria segue Freixial, Castelejo
para a Enxabarda, dia 1 de Fevereiro é atacado junto à Enxabarda pelas ordenanças de Alpedrinha apoiadas pelo povo das aldeias
da Maunça, nesse ataque perde duzentos e sete soldados. No sopé do cabeço Zibreiro, onde a estrada contorna o cabeço para
o Ingarnal, (O cemitério dos franceses), a mortandade ai ainda é maior. Se os números que se conhece estão certos de Salamanca
a Santarém o general Foy perde 1200 homens. Segundo alguns depoimentos a coluna dividiu-se, os soldados ficaram por sua conta
e risco. Quando chega a dia 5 de Fevereiro não fala do que se passou mas o disfarce era impossível. O desaire foi total. Ficam
a saber que a tentativa de Gardanne falhara. O irmão de José Acúrsio das Neves, Padre em Arganil.Acúrsio das Neves, figura
pública sem ser militar que mais lutou e escreveu contra os invasores franceses, Com ascendentes em Janeiro de Cima, mãe,
avós. Estrato da carta do irmão: “ para te relatar o que por aqui se tem passado os franceses, seria necessário escrever muito;
eles sempre têm andado ao redor de nós, já pela estrada do Fundão, já pelas partes de Pedrógão, chegaram ao pé de Alvares,
até mesmo chegarão a estar defronte do lugar de Cambas ao fundo de Janeiro de Baixo, aqui li nas gazetas o acontecido na estrada
nova do Fundão, Castelejo, Enxabarda e dali para baixo; mas elas a este respeito omitirão partes negativas, e talvez fosse
por falta de informação. Eu bem quis mas não tive por onde e o certo que a mortandade, na estrada nova duas vezes que a rodearam
é muito maior do que dizia a gazeta. O nosso primo padre José Antão de Janeiro, sendo de tanta verdade como tu conheces, teve
a pachorra de ir passear um bocado da dita estrada, e somente em uma légua contou 95 mortos, o valor de alguns paisanos foi
desmarcado e cinco deles fizeram bravuras” Das duas vezes que refere a carta é: com a passagem do general Gardanne e o general
Foy. A carta muito extensa está recheada de acontecimentos relatados na primeira pessoa. Gardanne segue também pela estrada
nova onde os ataques das milícias de Trant à sua coluna são terríveis, coluna composta segundo os ingleses 9 mil outros referem
de 5 a 6 mil soldados, dia 25 de Dezembro está a uma jornada de (Punhet), Constância. O percurso pela Beira descrito pelos
próprios: “Cidade Rodrigo, Sabugal, Sortelha, Capinha, Fatela, Valverde, dia 22 de Novembro Fundão.O Fundão terra bonita com
vistas sobre o vale do Zêzere, Serra da Estrela. Dia 24 começamos a subida difícil da Enxabarda (aldeia má) até à serra dos
Três Termos, apesar dos maus planos a paisagem é muito bela, pela crista da Serra até ao Giraldo”. Continua a sua descrição
dos lugares, das aldeias desertas e destruídas, da estrada nova até Cardigos onde param. Invertem a viagem até à Sobreira Formosa e ai deixam a estrada nova e fazem a estrada real
pelo Salgueiro do Campo, Tinhalhas, Atalaia, Penamacor: “Uma vila bonita e fortificada” No Sabugal, o narrador fala da fome,
do cansaço insuportável, saem para Valverde del Fresno Espanha. “Agora perdeu completamente a sua rota. Não sabendo onde encontrar o exército de Massena, vagueou em
todos os sentidos, e quando alcançou Cardigos, os seus mapas mostravam o Zêzere, não organiza uma coluna em busca de uma força amigável. Deve sempre dirigir-se por rios,
por florestas, por cidades grandes e por cumes das montanhas, para se mostrar às tropas em qualquer lugar próximo, eles certamente
têm piquetes nestes pontos importantes. É duro compreender porque Gardanne se esqueceu desta regra do ofício. Perdeu realmente
muitos homens num recuo precipitado sem ter visto o inimigo. Retornou a Espanha, levando para trás os reforços, de munição,
e cavalos” Barão
Marbot. Memórias Gardanne faz ainda uma segunda entrada em Portugal pelo
vale do Mondego. Mais uma vez a água é a grande barreira. A ponte da Mucela está parcialmente destruída e mesmo assim guardada
pelos ingleses. Muda de caminho e vai a Góis, Lousã, Espinhal, até Tomar. Teve a mesma sorte é forçado a regressar a Espanha.
Da viagem de regresso não conhecemos pormenores mas o irmão de Acúrsio das Neves relata na sua carta em datas coincidentes
barbaridades só praticáveis por um exército em desespero, nas vilas de Góis, Arganil e Sarzedo, que ele presencia, durante
um mês segue-se a retirada de Massena.Depois da saída dos franceses de Portugal, prolonga-se um pouco por toda a Espanha.
Junto à fronteira portuguesa há combates e batalhas durante mais de um ano onde as tropas portuguesas participam com bravura.
As duas forças movimentam-se continuamente de Badajoz a Salamanca. Marmot decide invadir de novo Portugal. A quarta invasão,
que dura 20 dias. Fuentes de Onor e sai pela Aldeia do Bispo. O general Foy, vem outra vez à Beira Baixa. Esteve no Alcaide,
Alpedrinha e provavelmente no Fundão. O exército de Marmot estende as suas forças até á Guarda, dia 6 cercam o Sabugal. Investindo
para Castelo Branco, com uma divisão inteira. Lecor entretanto manda evacuar a cidade.Um ano antes a 3 de Abril, durante a
batalha do Sabugal. Os franceses em 1 hora de combate perderam 61 oficiais e 699 soldados. Para Charles Oman, os números são
outros: os franceses perderam entre mortos e prisioneiros 1500 homens. Esta curta invasão de 20 dias apenas, em 8 de Abril
as tropas estão em Penamacor. Vários grupos percorrem: Covilhã, Fundão, Alcaide e Alpedrinha, pilharam Pedrógão e Medelím.
Humilhado
Gardanne não escreve relatórios muito precisos dos locais por onde anda, chega a cobrir-se de ridículo quando diz: chegamos
a uma ilha. Estava sim entre dois rios, a ilha é Portugal abandonado pelo seu Rei. Pais com tantos anos de história, um povo
que sempre utilizou a água dos mares e rios como poucos, também para a defesa militar. Quando água não há, clamamos por milagre
e Santo António faz crescer a ribeira da Enxabarda. Ficamos assim dispensados de assumir a força a nossa grandeza. Rios que
corriam livres e limpos. Pouco terá ficado destes invasores, dos ideais que diziam também querer trazer. Ainda hoje não cruzaram
todos os rios de Portugal e do mundo
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-Parte Antiga Da Chaveira-
HISTORIA
DE TODO O NOSSO CONCELHO!
Mação recebeu o primeiro foral da mulher de D. Dinis, Isabel de Aragão (Rainha Santa),
que dela fez doação às freiras de Celas (Coimbra). Este foral foi renovado em 1355, pelo futuro rei D. Pedro l ( de Portugal). É
uma região arqueológica e paleontologicamente muito rica. A proximidade do rio Tejo, a existência de ouro, atraíram desde
sempre povos que aqui se fizeram, como indicam as antas, os abrigos, os esconderijos e os castros, que na toponímia local
e nome de castelos e que forneceram vasto espólio arqueológico. Neste campo, a riqueza do concelho é sobretudo do tempo dos
romanos. De todos, o mais célebre será o tesouro da Época do Bronze, do Porto do Concelho, que se compunha de 42 peças, entre
as quais foices, lanças, machados, espadas, punhais, braceletes, etc. Também o da célebre albarda de sílex, a maior da Península
Ibérica, encontrada em Casal da Barba pouca. E ainda os castros de Amêndoa (Idade do Ferro), Castelo Velho de Caratão (Idade
do Ferro) e as Estações Arqueológicas de Vale do Junco e Vale do Grou (romanas). Origem do nome: «Xavier Fernandes em
Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Já era nome próprio no antigo português, sendo vulgar a escrita Maçam. A não se relacionar
com o nome comum mação, aumentativo de maço, reputamos obscura ou incerta a origem do topónimo”.
Mação
Mação
é vila sede de concelho, pertencendo ao distrito de Santarém e à diocese de Portalegre, e situa-se no extremo sul da antiga
província da Beira Baixa. O nome de Mação tem duas possíveis explicações: a primeira relacionada com o termo francês "maçon",
sendo então o povoado filho de um pedreiro-maçon que ali se tivesse instalado com a sua arte (ou então que esse homem se chamasse
Maçon que era a antiga forma de se escrever Marçal); a segunda explicação (mais plausível) está relacionada com o termo latino
"mansio-mansionis" que significa estalagem (pousada, mansão). Assim, nesta estalagem repousariam os viandantes no tempo da
dominação romana quando, vindos de Tubuci (Abrantes), pela terceira via militar que ligava aquela povoação a Mérida, para
Castra Leuca (Castelo Branco), passassem por uma das duas ramificações seguia para norte em direcção a diversos assentos de
população romana (Amêndoa, Cardigos e Carvoeiro), a segunda seguia para sul em direcção ao importante povoado romano da Ribeira
de Nata (Belver). Toda esta região, ainda fisicamente ligada à Beira Baixa, remonta ao período do Paleolítico, na Pré-História,
Era da qual se encontram muitos vestígios. Seria uma zona com condições climáticas e geográficas propícias ao estabelecimento
dos povos: vastos bosques não muito densos, perto de imensos cursos de água e de nascentes sem fim, proporcionando-lhes caça
e pesca, abrigo de árvores e grutas (bastante frequentes no concelho), e um clima frio e húmido. Embora toda a região da
Beira seja tida como uma região erma, cujo despovoamento se terá dado entre a invasão árabe e o início da primeira dinastia,
o que é facto é que a região de Mação apresenta um vasto leque de vestígios romanos. Mação pertenceu, até ao primeiro quartel
do séc. XIV ao termo de Belver da ordem de S. João do Hospital ou de Malta. No decurso da 1ª dinastia, Mação, Amêndoa e Cardigos
foram alvo de disputas entre a coroa e a ordem de Malta. Foi D. Dinis e os seus sucessores que conseguiram reaver esta região
que tinha sido doada aos Hospitalários. Na 2ª metade deste mesmo século iniciam-se as lutas entre o poder temporal da Igreja
e a coroa, lutas estas especialmente notórias na região da Beira Baixa e do Alto Alentejo. Em 1761, Mação foi quartel general
das tropas inglesas, comandadas pelo conde de Lippe. Em 1808, aquando das invasões francesas, também este concelho esteve
à mercê de tropas estrangeiras, sendo mais uma vez alvo de roubos e outros tipos de selvajarias. Com a Constituição, surgem
as lutas entre liberais e miguelistas que tomam especial dimensão neste concelho, com uma certa tradição maçon, que poderá
ser anterior ou posterior às invasões francesas. As lojas maçónicas de Mação e Abrantes votaram a morte do Rei, donde ganharam
aquela um acrescentamento ao concelho e esta a sua elevação a cidade. Na 1ª República, os monárquicos tornaram-se sidonistas.
Por esta altura surgiu o Hospital da Misericórdia e a sopa aos pobres. Vejamos como é descrito o brasão de Mação: "O
BRASÃO de Mação, aprovado em 1930, é vermelho, com uma ovelha no centro. Em chefe, um cacho de uvas folhado e acompanhado
por duas abelhas, tudo em ouro. Orla de prata cortada por fachas onduladas de azul. Coroa Mural de prata de quatro torres.
Bandeira amarela com um listel branco em letras pretas. Cordões e borlas de ouro. Lança e haste douradas (...). O vermelho,
que significa vitórias, ardis e guerras, deriva de ter sido Mação quarter general das tropas de Lippe em 1762. As indústrias
de tecelagem de lã, fabricação de curtumes e exportação de gados que caracterizam, desde tempos remotos a vida económica de
Mação, estão representados na ovelha. As uvas e as abelhas simbolizam a agricultura em dois dos seus produtos característicos:
o vinho e o mel. As correntes, que fertilizam Mação, estão heraldicamente representadas por faixas onduladas de azul e prata."(1) (1)
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira – Vol. XV. Este resumo foi feito a patir da Enciclopédia citada e ainda de
"Monumentos Históricos do Concelho de Mação", de Maria Amélia Horta Pereira. in DIAGNÓSTICO SÓCIO-CULTURAL DO DISTRITO
DE SANTARÉM - ESTUDO 1, Santarém, 1985, pág. 352-353.
Milagre de Santo António
http://www.ribatejo.com/ecos/ Conta-se
em Mação que um dia Santo António estava numa localidade do concelho com sua mãe. Pedindo-lhe esta que fosse buscar lenha
para a lareira, o santo atravessou-a para a outra banda do Tejo, pelo Nabão. À volta, porém, era quase sol-posto, Santo António
não viu barca nem barqueiro; o que o deixou preocupado por saber que a mãe o esperava, em cuidados, do outro lado do rio.
Aflito, sem saber o que fazer, levantou os olhos ao Céu e pediu ao Menino Jesus que o auxiliasse naquele transe, e quase imediatamente
o Menino apareceu-lhe, dizendo com suavidade: - Tens aí o feixe de lenha para a senhora tua mãe. Deita-o à água; senta-te
nele e, então, eu te servirei de barqueiro e conduzirei o feixe à outra margem do rio. António assim fez e, momentos depois,
com o Menino sentado no braço, aportava ao outro lado, são e salvo, onde se despediu de Jesus, que muito sorridente voltou
para o Céu. in Frazão, Fernanda. "Lendas Portuguesas", vol. III, pág. 124. Ed. Multilar. Lisboa: 1988
Mação
Mação é uma vila da região do pinhal. Mação é uma vila Portuguesa pertencente ao Distrito de Santarém,
região Centro e subregião do Pinhal Interior Sul, com cerca de 2 300 habitantes. É sede de um município com 400,83 km²
de área e 8 442 habitantes (2001), subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Proença-a-Nova,
a leste por Vila Velha de Ródão e Nisa, a sul pelo Gavião, a sudoeste por Abrantes, a oeste pelo Sardoal e por Vila de Rei
e a noroeste pela Sertã.
População do concelho de Mação (1801 – 2004) 1801 1849 .1900 ..1930 ...1960 ..1981
.1991 .2001 .2004 1724 6823 15525 18806 19045 12234 10060 8442 7763
Mação era nos começos da nacionalidade,
um pequeno lugar que pertenceu até ao 1º quartel do séc. 14, ao termo de Belver na Ordem de Malta. O 1º foral de independente,
foi-lhe dado pela Rainha Santa Isabel. Toda a área do concelho de Mação constitui riquíssima zona paleontológica e arqueológica.
Em todas as suas freguesias se encontram fósseis, o que mereceu larga referência a Nery Delgado (Système Sillurique du Portugal;
Étude de Stratigraphie Paléontologique). No campo da arqueologia, a riqueza do concelho é sobretudo da época Romana como o
balneário romano em Ortiga. O mais célebre de todos os achados, foi o tesouro da Idade do Bronze do Porto do Concelho em 06.03.1943,
que se compunha de 42 peças (foices, lanças, machados, espadas, punhais, braceletes, etc.). Notável também, o achado, em Março
de 1944, em Casal da Barba Pouca (freguesia de Penhascoso), da célebre albarda de sílex a maior da Península. Merecem ainda
referência, os Castros de Amêndoa (Idade do Ferro), Castelo Velho de Caratão (Idade do Bronze), as estações de Vale do Junco
e Vale do Grou (Romanas). Recentemente nas margens da Ribeira de Ocreza no âmbito do acompanhamento das obras de construção
da SCUT da Beira interior foram descobertos painéis de Arte Rupestre, de diferentes épocas incluindo o primeiro achado de
arte paleolítica de ar livre no sul de Portugal onde até ao momento apenas se conhecia arte parietal na gruta do Escoural.
Trata-se de uma representação de equídeo (cavalo) figurado em perfil absoluto. Com um vasto leque de alternativas para os
potenciais investidores o concelho de Mação possui condições maravilhosas para atrair um segmento de turistas cada vez mais
preocupados em sair dos grande centros de exploração económica do turismo. A calma e a riqueza das águas do Tejo e da Ribeira
de Eiras sobre a Barragem em Ortiga, fazem o paraíso dos desportos náuticos, como o Ski, Vela e Windsurf. O concelho convida
à prática de um turismo rural, saudável onde os desportos radicais como o montanhismo, asa delta, btt, e todo- o- terreno
ocupam lugar de destaque. A sua paisagem varia entre a beleza das montanhas com cascatas que terminam em pequenas e acolhedoras
piscinas naturais, rochedos implantados na crosta maciça das serras ,à semelhança de castelos medievais, beneficiando de toda
a pureza de um ar montanhês e o refrescante encanto das enormes albufeiras onde tudo é possível e desejável, com água a perder
de vista – Barragem de Ortiga e Barragem da Pracana. Mação conta ainda com apreciável riqueza das águas mineromedicinais:
Sulfúreas – Sódicas ( Fadagosa de Mação ) e na freguesia de Envendos (Lugar de Ladeira),um grande caudal denominado Águas
Quentes. Quanto ao nível gastronómico, de entre os diversos e apreciados pratos tradicionais, salienta-se os enchidos e o
presunto fazendo as delícias dos apreciadores mais exigentes, de notar que o concelho de Mação produz cerca de 70% do presunto
nacional. É assim o concelho de Mação, onde o único limite para o investimento é imaginação.
Actividades
Económicas
As actividades económicas estão repartidas entre os três sectores tendo-se verificando na última década
uma perda muito significativa de população do sector primário, para os sectores secundário e terciário. Em muitas aldeias
a vida ainda se processa em torno de actividades tradicionais como a agricultura e a pecuária porém, o concelho tem visto
o florescimento de algumas indústrias como a dos enchidos e transformação de carnes que têm desempenhado um papel de relevo
e projecção na economia do Concelho. A construção civil, a indústria de velas e artigos em cera e a indústria de serração
de madeiras têm visto também algum desenvolvimento.
Património Cultural e Monumentos Históricos
O Concelho de Mação é bastante rico em vestígios arqueológicos que se encontram espalhados um pouco por
toda a região. Achados do Paleolítico foram encontrados sobretudo junto à Ribeira das Boas Eiras, mas recentemente foram descobertas
algumas gravuras rupestres junto à Ribeira da Ocreza, entre elas a representação de um equídeo (cavalo), o primeiro achado
de arte paleolítica ao ar livre no sul de Portugal, que segundo os especialistas terá mais de 20.000 anos. Das inúmeras antas
existentes no Concelho, apenas uma se encontra de pé, a Anta da Foz do Rio Frio, na freguesia da Ortiga. Dois castros no Concelho
merecem uma visita: O Castelo Velho do Caratão, da Idade do Bronze, situado numa serra entre as ribeiras de Eiras, do Aziral
e do Caratão, próximo da aldeia que lhe dá o nome, e o Castro de São Miguel, da Idade do Ferro, situado na Serra de S. Miguel
na Amêndoa, ambos monumentos classificados. Do período romano podem ser visitadas as várias pontes que se espalham um pouco
por todo o Concelho, entre elas a Ponte da Ladeira (Envendos), a maior, com seis arcos de volta perfeita e proporções diferentes,
a Ponte da Isna, apenas com três arcos, e o Balneário Romano do Vale do Junco (Ortiga), também estes monumentos classificados.
Artesanato
As actividades artesanais no Concelho de Mação continuam a ser perpetuadas
pelas mãos de hábeis artesãos. Assim, um pouco por toda a nossa região podemos encontrar trabalhos em olaria como em latoaria
(Mação), as albardas e correias do albardeiro (Mação), os trabalhos em esparto e arame, as rendas e bordados (Mação), a tecelagem
em fios de algodão, lã e linho (Cardigos e Envendos), as mantas tecidas em teares manuais (Ortiga), os brinquedos de madeira
(Aboboreira) e a manufactura de barcos e redes de pesca (Ortiga).
Gastronomia
A
gastronomia do Concelho é bastante variada. Como entradas, nada melhor que provar as azeitonas, o presunto, enchidos frios
e o queijo de cabra e de ovelha, todos produtos locais de grande qualidade. Os pratos de carne incluem o cabrito assado em
forno a lenha à moda de Mação, o feijão de matança e o bucho recheado. Contemplando a estreita relação com o rio temos o arroz
de lampreia, o sável na telha, o achigã grelhado, a sopa à pescador e o ensopado de saboga e o ensopado de enguia , que se
podem encontrar em restaurantes da especialidade na zona da barragem de Ortiga. Como acompanhamentos nada melhor que migas
e um bom vinho. No que respeita à doçaria não devem ser esquecidas as tijeladas de Cardigos, o mel, o bolo dos santos, o bolo
finto e as fofas de Mação (cavacas) e os torrados.
Feiras e Festividades
Durante
todo o ano ocorrem em Mação várias festas e feiras. As principais feiras no Concelho são a Feira dos Ramos, que ocorre sempre
no Domingo de Ramos, a Feira dos Santos, uma feira bicentenária e com muita tradição, sempre a 1 ou 2 de Novembro e a Feira
de Artesanato e Gastronomia, no 1º e 2º fim-de-semana de Julho. Durante todo o Verão decorrem dezenas de festas organizadas
pelas associações e colectividades de cada vila ou aldeias, as quais são sempre animadas pelos conjuntos de baile e pelos
comes e bebes. A Festa de Santa Maria é a maior e mais importante e ocorre, na sede, sempre no 1º fim-de-semana de Setembro
em Mação. A festa religiosa que acolhe um maior número de fieis é a do Senhor dos Passos, em meados de Quaresma, em Mação.
FESTAS, FEIRAS, PROCISSÕES E ROMARIAS
• Amêndoa: Festa da Santa Cruz em honra do Senhor
da Agonia - 3 e 4 de Maio de 2008
• Cardigos: Festas do Espírito Santo - 10, 11 e 12 de Maio de 2008 • Carvoeiro:
Festa da Nossa Senhora dos Passos - 5.º domingo da Quaresma
• Casas da Ribeira - Mação Festa de Nosso Senhor dos Aflitos
- último sábado de Maio (2008 : 31 de Maio) • Gargantada: Festa em honra de Nossa Senhora da Gargantada, «Associação
dos Amigos das Aldeias», «Fundo da Terra», (Gargantada, Cabo, Monte Fundeiro, Robalo) - 22, 23 e 24 de Março de 2008
•
Mação: Festa da Senhora das Candeias - 2 de Fevereiro
• Martinzes: Festa de Santo Antão - 20 de Janeiro Festa
de Santo António - 16 e 17 de Junho, Associação «Amigos de Santo António de Martinzes»
• Penhascoso: Festa do
Sagrado Coração de Jesus - 14 de Outubro
• Santos: Festa de S. Gens - 11 de Janeiro. No sábado mais próximo do dia
11, uma procissão sai da capela de Santos, ao som de cânticos. Os romeiros levam um andor com a imagem do santo e sobem em
direcção à ermida de S. Gens, onde é celebrada missa e se bezem os pães contra o fastio. No final, come-se o pão oferecido.
FESTAS DE VERÃO
• Aboboreira: 1, 2 e 3 de Agosto de 2008
• Castelo: 18, 19 e
20 de Julho de 2008
• Chão de Codes: 8, 9 e 10 de Agosto de 2008
• Chaveira & Chaveirinha dia de S.Pedro 29
de Junho (costuma ser no fim de semana mais proximo)
• Monte Penedo/Ribeira das Boas Eiras/Espinheiro: 25, 26, e 27
de Julho de 2008
• Ortiga: 11, 12, e 13 de Agosto
• Penhascoso: 18, 19 e 20 de Agosto
• Pereiro: último
fim-de-semana de Agosto
• Queixoperra: 14, 15, 16 e 17 de Julho
• Vale de Abelha: 8, 9 e 10 de Agosto de 2008
FESTAS DE NATAL
• Mação: concertos na Igreja Matriz, vendas e bazares
•
Ortiga:
• Aboboreira:
ARRAIAIS POPULARES
• Ortiga:
• Mação: (Santos
Populares; São João)
FESTIVAIS DE FOLCLORE
• Ortiga: 19 de Agosto
FEIRAS
• Mação:
o Feira dos Santos de Mação: 1 de Novembro
o Feira Mostra de Mação:
1.º fim-de-semana de Julho (gastronomia, folclore, artesanato, música, actividades desportivas) - 2008: 15ª feira mostra
- 4, 5 e 6 de Julho de 2008
o Feira no 3.º domingo de Janeiro
o Feira no 3.º domingo de Julho
o
Feira de Ramos, no domingo de Ramos
• Amêndoa: Feira tradicional no 1.º domingo de Agosto
• Carvoeiro: Feira
no 3.º domingo de Agosto
• Evendos: Feira tradicional no 1.º domingo de Setembro
CANTAR
AS JANEIRAS
Mação: Actividade cultural normalmente desempenhada pelo Grupo Cultural «Os Maçaenses», que
percorre as ruas da vila, cantando músicas populares. O costume estende-se a outras localidades da região como, por exemplo:
Aboboreira, Casalinho, Chão de Codes, Penhascoso, Queixoperra (Centro Recreativo e Cultural da Queixoperra), Serra.
Como
é pobre o Deus Menino, Não tem que dar de comer Aos Santos Reis, e por isso Mandou-nos cá vir dizer Que lhe dessem
as Janeiras, P'rá ceia dos Santos Reis E o prémio dessa acção No céu o recebereis.
Personalidades
do Concelho de Mação
De entre as figuras ilustres do Concelho de Mação destacam-se alguns nomes, entre eles
o Padre António Pereira de Figueiredo (1725-1797), sacerdote oratoriano e grande pedagogo que se dedicou ao estudo de Filosofia,
Teologia, História e Latim. Foi um colaborador próximo do Marquês de Pombal e levou a cabo algumas acções diplomáticas na
Europa. Traduziu a Bíblia e escreveu dezenas de obras que percorreram as mais diversificadas áreas do conhecimento. A vida
e obra de Francisco Serrano (1862-1941) marcou também a história do concelho e dele ficaram memórias da sua vida de etnógrafo,
músico, escritor e jornalista. Foi a primeira pessoa a sistematizar a recolha de elementos históricos, etnográficos e sociais
sobre o concelho de Mação. Foi ainda dinamizador, músico, regente e compositor da Sociedade Filarmónica União Maçaense. Como
resultado de muitos anos de vida dedicada ao concelho ficaram algumas obras, entre elas, Romances e Canções Populares da Minha
Terra, Elementos Históricos e Etnográficos de Mação e Viagem à Roda de Mação, recentemente editadas pela Câmara Municipal
de Mação.
As freguesias de Mação são as seguintes:
Aboboreira, Amêndoa, Cardigos, Carvoeiro,
Envendos, Mação, Ortiga, Penhascoso:
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7
Regiões de Portugal: a Beira Interior
Apresentação da proposta das 7 regiões, que tem colhido amplos elogios por parte
de pessoas dos vários quadrantes geográficos do nosso país, procederei a partir de agora à apresentação, uma por uma, das
regiões propostas. Começarei pela região de onde sou natural, e que me é mais familiar, a Beira Interior.
A Beira Interior
é uma região que resulta da moderna união da antiga província da Beira Baixa, com a parte da antiga província da Beira Alta
correspondente, grosso modo, ao distrito da Guarda (exceptuando os concelhos de Vila Nova de Foz Côa e de Aguiar da Beira,
das regiões de Trás-os-Montes e Beira Litoral, respectivamente).
É constituída por 25 municípios: Almeida, Celorico
da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Sabugal, Seia e Trancoso
(distrito da Guarda), Belmonte, Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã,
Vila de Rei, e Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco), Mação (distrito de Santarém) e Pampilhosa da Serra (distrito
de Castelo Branco).
História
A Beira Interior teve, desde sempre, um papel determinante na história de Portugal.
Habitada desde tempos imemoriais, por povos pré-históricos, guarda vestígios da época do Bronze (dos quais se destaca a Espada
de Castelo Bom, exposta no museu da Guarda), e foi, mais tarde, terra de origem dos Lusitanos, primeiro sinal da identidade
portuguesa, que se refugiaram nos Montes Hermínios, actual Serra da Estrela, na luta feroz contra os invasores latinos. Os
Romanos, mais fortes, acabaram por vencer, e trouxeram grande evolução à região, desenvolvendo a agricultura e apostando na
exploração mineira. Seguiram-se os Visigodos e os Muçulmanos, que trouxeram inovações que estão na origem dos hábitos ancestrais
das pessoas desta região. Mas foi na época medieval que a Beira Interior ganhou mais brilho. Disputada, entre os séculos XI
e XIII entre Portugueses, Leoneses, Castelhanos e Muçulmanos, foi o garante da independência nacional face a estes povos,
e tomou uma importância fulcral para o nosso país. Foram construídas dezenas de castelos e fortalezas, que ainda hoje podemos
visitar, e que estiveram durante séculos na linha da frente na defesa do reino de Portugal. É talvez por isso que os beirões-interiores
se assumem, desde sempre, como grandes patriotas. Após o fim das guerras, com a definição das fronteiras, as povoações são
recuperadas, e a população aumenta significativamente, com a tomada de medidas que promoveram a fixação de colonos nestas
terras (talvez hoje em dia, fosse necessário retomar esta ideia...). Foi importantíssima na época dos Descobrimentos, tendo
sido berço de alguns dos nossos maiores navegadores e exploradores, dos quais se destacam Pedro Álvares Cabral, Afonso de
Paiva e Pêro da Covilhã. Mais tarde, na Guerra da Restauração, os seus castelos e fortalezas, e o patriotismo das suas gentes
voltaram a assegurar a independência nacional. Como recompensa, houve melhorias consideráveis nas construções da região. Mais
tarde, a Guerra dos Sete Anos provoca a invasão de algumas povoações raianas, que mais uma vez dão uma prova de patriotismo,
ao afastar o invasor. Aquando das Invasões Francesas, os beirões voltaram a dar a vida pela independência nacional, no cerco
de Almeida e nas batalhas de Fuentes de Oñoro e Trancoso. Estas invasões provocaram uma forte destruição em toda a região,
que abriu uma ferida de morte. A meio do século XIX, o progresso chega, com a abertura das Linhas da Beira Alta e da Beira
Baixa, e da fronteira rodoviária de Vilar Formoso. Porém, a emigração começa a fazer-se sentir e a população, ao longo do
século XX, vai descendo, por falta de condições de vida. Só nos anos 80 e 90 são criadas algumas infra-estruturas, mas o esquecimento
a que foi cronicamente votada ao longo de quase dois séculos, e a falta de autonomia regional no presente, continuam a hipotecar
o futuro da Beira Interior.
Identidade Regional
Ao contrário do que é usual pensar-se, a Beira Interior não
é uma unidade regional recente. Já no século XIII, em 1299, D. Dinis, no seu testamento, ao dividir Portugal em regiões, cria
a região da Beira, correspondente aos actuais distritos da Guarda e de Castelo Branco, e a parte do de Viseu. Nos séculos
XV e XVI, as bases da divisão do Litoral e do Interior da Beira mantêm-se. No século XIX, quando se começaram a desenhar as
divisões em províncias tradicionais, aparece-nos uma Beira Baixa alargada, que correspondia aos distritos da Guarda e Castelo
Branco, ou seja, praticamente ao território da Beira Interior moderna. Quase todas as divisões propostas pelas reformas liberais
propunham, embora com configurações diferentes, a divisão entre o Litoral e o Interior da Beira. No século XX, no período
do Estado Novo, várias reformas avançam sempre no sentido da divisão das Beiras em Litoral e Interior: ora com 3 províncias
(Beira Alta, Baixa e Litoral), ora apenas com a Beira Litoral e a Beira Interior, um modelo moderno que é apoiado pelos maiores
geógrafos da época, e seguido na adopção do III Plano de Fomento (1969-1973). Após o 25 de Abril, a Beira Interior aparece
na primeira proposta de Regionalização, em 1976. A Beira Interior aparece também como região postal (códigos postais 6000
a 6999), de turismo e telefónicas (grupo de indicativos começados por 27). Com a adesão à CEE, são delimitadas as 7 Regiões
Agrárias, entre as quais se encontra a Beira Interior, modelo adoptado pela CEE para Portugal. Em 1998, neste seguimento,
nas propostas de regionalização do PS e da CDU (registe-se o boicote do PSD e do CDS), a Beira Interior é região consensual,
e é apresentada a referendo, onde a campanha de desinformação lançada pelos anti-regionalistas acaba por dar o seu fruto,
acabando por se registar, apesar da afinidade das populações com a região proposta, uma rejeição não à região em si, mas à
Regionalização em princípio, já que esta não foi bem explicada aos portugueses. Hoje em dia, a Beira Interior é já uma região
entrosada entre os seus habitantes, tendo bastante aceitação nesta zona como uma boa solução de regionalização para Portugal.
Apesar de tudo, é preciso convencer os beirões-interiores das vantagens da Regionalização para a sua região, já que, apesar
da unidade Beira Interior ser bastante aceite, a Regionalização como princípio de desenvolvimento ainda não é bem entendida
por estes lados.
Património A Beira Interior é a região por excelência do património. É uma das regiões com mais
castelos e fortalezas, cerca de 45 no total, a sua grande maioria em bom estado de conservação. Conserva um ambiente medieval,
que aliado às suas paisagens bucólicas, a torna um destino turístico por excelência. 12 dos 13 núcleos históricos recuperados
ao abrigo do programa “Aldeias Históricas de Portugal” localizam-se na Beira Interior: Almeida, Castelo Mendo e Castelo Bom
(concelho de Almeida), Sortelha (c. Sabugal), Castelo Rodrigo (c. Figueira de Castelo Rodrigo), Marialva (c. Meda), Linhares
da Beira (c. Celorico da Beira), Belmonte, Trancoso, Castelo Novo (c. Fundão), Idanha-a-Velha e Monsanto (c. Idanha-a-Nova).
As cidades são também muito ricas em património, de várias épocas e estilos arquitectónicos. Aqui destacam-se a o centro histórico
e a Sé da Guarda (gótico-manuelina, séc. XIV-XVI), o Paço Episcopal de Castelo Branco, e as antigas fábricas da Covilhã. Imperdíveis
são também os centros históricos de Sabugal, Trancoso, Celorico da Beira, Gouveia, Belmonte, Penamacor e Fundão, a fortaleza
em forma de estrela de Almeida, a jóia da arquitectura militar portuguesa, e a antiga cidade episcopal de Pinhel. De outras
épocas, há ainda múltiplas antas, sepulturas antropomórficas e construções romanas (destaque para Centum Cellas, em Belmonte).
O património tem vindo a ser recuperado e conservado pelas autarquias e governo, e assume um papel fulcral na vocação turística
da Beira Interior. Sente-se a falta de uma autoridade regional que articule as diferentes políticas de turismo e património,
e divulgue verdadeiramente esta região belíssima, mas que a maioria dos portugueses ainda não descobriu.
Geografia
Território
e População
A Beira Interior tem limites naturais bem vincados. A norte, é delimitada da região de Trás-os-Montes
e Alto Douro, pelas serranias dos vales do Douro e do Côa. A este, os rios Mondego e Zêzere, e as serras do Açor, da Gardunha
e da Lousã, separam-na da Beira Litoral. A sul e a sudoeste, o rio Zêzere e a serra da Melriça separam-na da Estremadura e
Ribatejo. A oeste, as fronteiras com Espanha são as mesmas desde há mais de séculos: os rios Águeda e Erges, e a ribeira dos
Tourões, sendo que em várias partes existe a chamada “raia seca”. E, no extremo sul da Beira Interior, o rio Tejo faz a ponte
com o Alentejo. O relevo de toda a região é acidentado, com destaque para as serras da Estrela (que se eleva a 1993 m), da
Gardunha (1227 m de altitude), de Alvelos (1084 m) e da Malcata (1075 m). Porém, a raia norte da Beira Interior está situada
num planalto, prolongamento da Meseta Norte, cuja altitude oscila entre os 600 e os 800 m. A zona sul da região está inserida
noutro planalto, mais baixo, prolongamento da Meseta Sul, com altitudes que oscilam entre os 500 e os 700 m. É banhada por
três dos principais rios portugueses, o Douro, o Tejo e o Mondego, e pelos seus afluentes, Côa, Alva, Zêzere, Águeda, Erges
e Ocreza, entre outros. A Beira Interior ocupa um total de 12 533 km².
Segundo o INE, em 2007 a Beira Interior tinha
368 818 habitantes, correspondendo a uma densidade populacional de 29,4 hab/km2. A população concentra-se maioritariamente
nas cidades e vilas, sendo que, se até agora se tem verificado um ligeiro aumento na sua população, desde o início do século
que a população tem estagnado ou mesmo diminuído, mesmo nas maiores cidades. Actualmente, segundo o anuário 2007 do INE, existem
10 cidades na Beira Interior: Covilhã (24 772 hab.), Castelo Branco (30 649 hab.), Guarda (26 061 hab.), Fundão (8 369 hab.),
Seia (5 702 hab.), Gouveia (3 759 hab.), Pinhel (2 578 hab.), Sabugal (2 362 hab.), Trancoso (2 348 hab.) e Meda (2 193 hab.).
As vilas são outro foco de concentração de população. Para além das sedes de concelho, destacam-se ainda Vilar Formoso (Almeida),
Alcains (Castelo Branco), Tortosendo e Teixoso (Covilhã). Verifica-se um acentuado envelhecimento da população, que, em alguns
concelhos, diminuiu cerca de 15% só entre 2000 e 2007. Grande parte das aldeias da região tem menos de 200 habitantes, e estão
em risco de ficar com população zero a curto/médio prazo. Contas feitas, apenas 11,7% dos cidadãos da Beira Interior tem menos
de 15 anos, enquanto os idosos (mais de 65 anos) representam já cerca de 25,6%. Esta realidade levará, portanto, a uma diminuição
acentuada da população da Beira Interior nos próximos anos. São, portanto, necessárias políticas regionais de fixação de empresas
e população, que não estão ao alcance das possibilidades das autarquias nem têm sido preocupação dos sucessivos governos.
Recursos
naturais A Beira Interior é uma região bastante rica em recursos naturais. Em primeiro lugar, os recursos hídricos, provenientes
das bacias hidrográficas do Douro, do Tejo e do Mondego, permitem a produção de electricidade em várias barragens e centrais
hidroeléctricas. Por outro lado, os fortes ventos que normalmente se registam na Beira Interior permitem a produção rentável
de energia eléctrica através dos parques eólicos, que têm vindo a aparecer na região. A energia solar tem também espaço para
crescer. Deste modo, a Beira Interior é auto-suficiente em termos de energia, podendo inclusive produzir energia para suprir
as necessidades do resto do país. Outra das riquezas da região é a abundância de fontes de água de nascente e águas minerais
naturais, que são exploradas por várias empresas, dando origem às mais conhecidas marcas de água do nosso país, como a Serra
da Estrela, Alardo, São Silvestre e Sete Fontes. O subsolo é também muito rico, registando-se explorações de quartzo, feldspato,
lepidolite, estanho, volfrâmio, urânio, tungsténio e cobre, e existindo ainda vários depósitos minerais por explorar. As principais
minas da região são as da Panasqueira, no concelho da Covilhã. A exploração de rochas toma também um papel muito importante,
principalmente dos granitos amarelos e dos xistos.
Património Natural
O património natural é um dos cartões
de visita da Beira Interior. As suas paisagens bucólicas únicas atraem visitantes de todo o país. A neve, rara em Portugal
mas frequente na Beira Interior, é o principal atractivo. É nesta região que se situa a maior área protegida do país, o Parque
Natural da Serra da Estrela, que contém valores naturais relevantes, incluindo algumas espécies de flora únicas no país; na
fauna destaca-se o lobo (Canis lupus), o javali, a lontra e a raposa (Vulpes vulpes). Na Torre, situa-se a única estância
de esqui natural do país, a Estância de Esqui Vodafone. Na zona norte da região, situa-se o Parque Natural do Douro Internacional,
famoso pelas suas arribas dos vales dos rios Douro e Águeda, onde abundam as aves. Nos concelhos do Sabugal e Penamacor, localiza-se
o Reserva Natural da Serra da Malcata, caracterizado pela sua fauna única, onde prontificam espécies como o lobo e a raposa.
Foi criada para servir de santuário para o lince-ibérico, espécie em perigo extremo de extinção. A sul, o Parque Natural do
Tejo Internacional, caracterizado pelos seus bosques de sobreiros, azinheiras e salgueiros, e por populações únicas de cegonhas,
águias, abutres, lontras e veados.
Economia
Sector Primário
Apesar dos solos da Beira Interior não serem
muito produtivos, a agricultura é, ainda hoje, a principal actividade de muitos dos habitantes da região. A Beira Interior
produz produtos muito apreciados, alguns deles classificados pela União Europeia. Destacam-se os vinhos da Beira Interior,
a cereja e a maçã da Cova da Beira, e o azeite da Raia. O cereal mais abundante é o centeio. A pecuária é um actividade com
condições de prosperar e ser rentável, tal como acontece do lado de lá da fronteira, mas apenas se houver real interesse do
país e da região em que tal aconteça. A criação de gado bovino, ovino, suíno e caprino encontra aqui condições óptimas para
se praticar. A exploração de madeiras, nomeadamente o pinheiro e o carvalho, é também praticada com alguma rentabilidade A
Beira Interior tem, assim, condições para ser um dos pilares da agricultura portuguesa. Porém, neste momento, a população
agrícola encontra-se envelhecida, o que poderá hipotecar o futuro da actividade nesta região.
Sector Secundário
A
indústria na Beira Interior vive tempos de crise. Se, em tempos, a região foi um importante pólo industrial em termos nacionais,
nos últimos anos, devido à falta de incentivos à fixação das empresas no interior, e à crise nacional e internacional, muitas
empresas fecharam ou estão em risco de fechar, aumentando consideravelmente os níveis de desemprego da região que, se nada
for feito, correm o risco de ultrapassar os 10% nos próximos tempos. Actualmente, os principais sectores industriais presentes
na Beira Interior são os têxteis, os componentes para automóveis e a agro-indústria.
Sector Terciário
O sector
terciário tem-se desenvolvido nos últimos anos. Actualmente, a oferta em termos de serviços, principalmente na área do turismo,
tem potencializado este sector na Beira Interior. Nas cidades, o comércio a retalho tem-se vindo a expandir, com a abertura
de múltiplos supermercados, hipermercados e centros comerciais. Contudo, o comércio tradicional tem entrado em declínio.
Transportes
e Comunicações Posição Estratégica
A Beira Interior encontra-se numa posição estratégica em termos nacionais e
Ibéricos. Localizada no centro nevrálgico de Portugal, e servida pelas principais rotas rodoviárias e ferroviárias transfronteiriças
da Península Ibérica, é o lugar privilegiado para a instalação de qualquer empresa com ambições a nível do mercado ibérico.
É, sem dúvida, a região melhor localizada em toda a Península em termos de ligação Portugal-Espanha, localizando-se no centro
do triângulo formado pelas cidades do Porto, Lisboa e Madrid, com acessibilidades rápidas a todas elas. A principal plataforma
multimodal da Beira Interior é a cidade da Guarda, a 200 kms do Porto (2h), 320 kms de Lisboa (3h) e 375 kms de Madrid (4h).
Outros pólos estratégicos multimodais são Vilar Formoso (principal fronteira terrestre de Portugal), Castelo Branco, Covilhã
e Celorico da Beira.
Principais vias de comunicação
A Beira Interior tem sido, nos últimos anos, finalmente
alvo de modernizações na sua rede rodoviária. Assim, é servida por cerca de 245 kms de auto-estradas e algumas vias rápidas,
que conferem à região boas acessibilidades com o resto do país e da Europa. Na Beira Interior confluem os eixos rodoviários
europeus E80 e E802. As auto-estradas A23 (Torres Novas-Guarda) e A25 (Aveiro-Vilar Formoso), as vias-rápidas IC8 (Pombal-Proença-a-Nova)
e IP2 (Fratel-Castro Verde) e as estradas N 17 (Coimbra-Celorico da Beira), N 102 (Macedo de Cavaleiros-Celorico da Beira),
N 221 (Miranda do Douro-Guarda) e N 240 (Castelo Branco-Segura) constituem a rede fundamental que serve a região. Assim, os
principais pontos de intersecção rodoviária são a Guarda, Castelo Branco, Celorico da Beira, Vila Velha de Ródão, Vilar Formoso
e Segura, sendo fácil aceder, a partir deles, ao Porto, Lisboa, Coimbra, Viseu, Bragança, Portalegre, Salamanca, Cáceres,
Madrid e à fronteira franco-espanhola de Hendaye/Irún. Em termos ferroviários, a região é servida pelas linhas da Beira Alta
(Pampilhosa-Vilar Formoso) e da Beira Baixa (Entroncamento-Guarda). A Guarda, como ponto de intersecção das duas linhas, é
o principal ponto ferroviário da região. Actualmente, as linhas estão a trabalhar a meio-gás, devido ao seu mau estado de
conservação. Ainda assim, efectuam-se os serviços Intercidades de passageiros Guarda-Lisboa e Covilhã-Lisboa, e o serviço
internacional Lisboa-Guarda-V.Formoso-Paris. Existe um aeródromo na Covilhã.
Em suma, a Beira Interior é uma região
com grande potencial, mas que tem sido desprezada continuamente pelos governos centrais, por pura falta de vontade política.
Se tudo continuar como está, e mesmo com a regionalização sob o mapa das 5 regiões-plano, a Beira Interior continuará dependente
do Litoral, que desconhece as realidades, e desvia os fundos e as medidas que são indispensáveis à sobrevivência da Beira
Interior, e acabará por morrer, como já está a acontecer aos poucos com a maioria das aldeias e vilas. A única forma de reverter
esta situação e evitar a morte da Beira Interior é uma regionalização que atribua notoriedade e poder efectivo à Beira Interior,
de modo a que aqui se possam aplicar as melhores políticas, que se coadunem com a realidade específica desta região.
Afonso
Miguel
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